Em 2005, em sua edição de número 457, de 21/10, o Novoeste fez um alerta sobre as responsabilidades social e ambiental dessas multinacionais que exploram as potencialidades como mão de obra, recursos naturais e outras riquezas econômicas de Barreiras e demais municípios da região. São empresas de capital internacional que visam, prioritariamente, grandes lucros e para isso, se instalam em regiões de países que apresentem mão-de-obra barata, matéria-prima abundante e incentivos fiscais. Grande parte desses lucros é reinvestida em outros países, geralmente, origem de seus acionistas.
O significado para essas empresas de explorar uma região inteira que convém ainda continua a mesma desde quando se instalaram. A meta é somente extrair e sugar suas potencialidades em busca de lucros e mais lucro sem deixar para trás qualquer retorno. Na época a crítica era em torno do papel social, cultural ou ambiental que essas multinacionais instaladas na região exerciam diante da sociedade e, o que parece, praticamente nada mudou com relação aos dias de hoje.
Ainda são inúmeros os reclames de trabalhadores da região sobre o tratamento que recebem dessas empresas. Para o assessor sindical, Vanderlei Marques, falta um compromisso mais sério por parte dessas multinacionais para com seus colaboradores. “São empresas que, geralmente, chegam com a promessa de uma mão de obra mais barata e uma representatividade sindical sem expressividade e por isso, tentam excluir certos benefícios ofertados aos trabalhadores da mesma categoria em outras regiões da Bahia onde a cultura de sindicalização tem mais força, é mais consciente”, ponderou o sindicalista.
No Brasil, existem grandes empresas no setor agrícola e de alimentos que valorizam mais o lucro, a estrutura física do que seus trabalhadores, os quais deveriam ser o maior patrimônio da empresa. Mas, não, na região oeste da Bahia, destaca-se como uma das piores, a Cargill Agrícola, unidade em Barreiras. Segundo o SINTIAB, sindicato da categoria na região, a falta de consideração dessa empresa para com seus trabalhadores é tamanha de tal forma que tem, insistentemente, lesado seus trabalhadores. O que é ainda pior, não senta com seriedade à mesa de negociação com os representantes dos trabalhadores, principalmente, a respeito da disparidade salarial e de benefícios entre suas unidades no estado, inclusive de concorrentes na região. Com isso, seus trabalhadores a cada dia se mostram insatisfeitos e, podem a qualquer momento, entrar em greve por tempo indeterminado para reivindicar equidade de direitos, salários e melhores condições de trabalho.
Diante de todas essas questões trabalhistas, vêm à tona várias questões relacionadas às multinacionais implantadas no país. É preciso que o governo e a sociedade reflitam melhor sobre o papel social que, teoricamente, elas desempenham na região num todo e não apenas nas cidades onde estão instaladas suas unidades. Não bastam somente os minguados empregos que ofertam, o fato choca e precisa emergir ao público o que verdadeiramente essas multinacionais fazem de concreto pela sociedade onde estão inseridas.
Por Tenório de Sousa
Da Redação
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